quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Revolução de 1817 na Paraíba


A tradição nativista do nordeste vinha se manifestando desde a expulsão dos holandeses. Além desse sentimento revigorado na Guerra dos Mascates, mais tarde, as idéias da Revolução Francesa, a Independência da América espanhola e a dos Estados Unidos, tiveram uma grande repercussão na Colônia que nem mesmo a estadia da Família Real no Brasil impediu que explodisse uma revolução que além de caráter separatista, o objetivo era implantar no Brasil o regime republicano.

Além das influências citadas, incluem-se o Clero e a Maçonaria. Em Pernambuco, “os pedreiros livres” encontraram bom terreno para expandirem suas idéias. Nos fins do século XVIII, o ilustre paraibano, Manoel de Arruda Câmara, fundou o “Areópago de Itambé”. Era um centro de cultura, mas segundo alguns historiadores, teria sido uma aliança secreta, cujo objetivo era a independência do Brasil. Entretanto, não só era nas sociedades secretas e no clero que se firmava o desejo de emancipação. Era no povo em geral.

A insatisfação dos pernambucanos era tão grande que demonstravam publicamente em banquetes políticos onde se servia a farinha de mandioca substituindo o trigo e no lugar do vinho bebia-se a cachaça. O governador pernambucano, Caetano Pinto de Miranda Montenegro já havia recebido denúncia. Mas não tomara providências. Porém na festa da comemoração da Expulsão dos holandeses, um oficial do “Regimento dos Henriques”, espancara um português que insultava uns brasileiros, ocasionando uma briga entre portugueses e brasileiros. No dia 4 de março, o governador de Pernambuco manda prender os suspeitos: Domingos José Martins e Antônio Gonçalves da Cruz (Cabugá). A revolução começou no quartel. Os revoltosos tomaram o governo e proclamaram a República.

A notícia do sucesso da Revolução chegou à Paraíba no dia 7 de março onde já se esperava o movimento que do Recife, para entrarem em ação. Um triunvirato governava a Paraíba substituindo legalmente o falecido governador, Antônio Caetano Pereira: André Alves Pereira Ribeiro Cirne (Ouvidor Geral), Tenente Coronel Adjunto de Ordens, Francisco José da Silveira e Manoel Ribeiro de Almeida, o mais velho vereador.

A Junta Governativa na Paraíba tomando conhecimento do ocorrido prepara um plano de defesa:

- Convocação dos comandos dos corpos de guarda para prontidão.

- Comunicação ao Rio de Janeiro das ocorrências.

- Provisão de recursos; munições e víveres para a guarnição.

Esse plano foi feito por José Francisco da Silveira (um dos componentes da Junta Governativa, aliado aos revolucionários), que viu nesse plano um meio de desembaraçar o dinheiro para suprir a guarnição, pois muitos dos seus comandantes eram como ele, aliados do movimento revolucionário.

Propôs ainda Francisco José da Silveira que convidassem Amaro Gomes Coutinho e Estevão da Cunha também eram adeptos do movimento e além de serem ricos dispunham de muitos trabalhadores que seriam de grande valia para a causa da Revolução.

Itabaiana foi a primeira cidade paraibana a seguir o exemplo de Pernambuco. Foi o jovem Manoel Clemente Cavalcante que proclamou “Independência e Liberdade” e foi seguido por toda povoação. Amaro Coutinho, Estevão Carneiro e Francisco José da Silveira, souberam do ocorrido em Itabaiana e se reuniram para, aparentemente, desenvolver o plano definido do governo legal mas na realidade eles estavam favorecendo a rebelião.

No dia 13 de março, o Ouvidor André Alves foge, sentindo insegurança.

Há um momento na rua e José Peregrino de Carvalho dispara o primeiro tiro da Revolução da Paraíba. Após o tiro, todos se deslocam sob o comando de Amaro Coutinho e Estevão Carneiro para o Largo do Palácio. Entram no Palácio onde encontram alguns membros do governo interino.

Os revolucionários declaram a necessidade da organização de outro governo devido a fuga do Ouvidor Geral e mesmo “não queremos ter mais Rei e sim a nossa República, pelo que há de ser um Governo Provisório e de Liberdade”. O governo interino renunciou. Prenderam alguns milicianos contra a Revolução e proclamaram o novo regime. No mastro da praça hasteiam a bandeira dos revolucionários no lugar da bandeira lusitana.

Amaro Coutinho e Estevão Carneiro da Cunha permaneceram no palácio. A fortaleza de

Santa Catarina é tomada pelo capitão José de Melo e o alferes Joaquim Avundano. No dia 15 de março entra na capital um exército vindo de Nossa Senhora do Taipu, Pilar e Itabaiana.

Governo Provisório da Revolução

No dia 16 de março reúne-se os líderes da revolução, para a escolha dos dirigentes da Paraíba. Foram eles: Francisco Xavier Monteiro da Franca; Padre Antônio Pereira de Albuquerque, Inácio Leopoldo e Francisco José da Silveira. Na sala grande do Palácio se fez a publicação dos novos eleitos para o Governo Provisório. O novo governo fez um Auto de Juramento: defender a Pátria, a Religião e a Liberdade.

A Revolução também se espalhou por Mamanguape, Bananeiras, Serra da Raiz e outras povoações prestaram solidariedade ao governo Republicano, Cabaceiras, São João, Pombal, Vila Nova da Rainha (Campina Grande), Brejo de Areia, enfim, a Paraíba toda.

O governo republicano funcionava e tudo corria aparentemente bem. Nos fins de março, o Governo Provisório recebe um ofício do governo do Rio Grande do Norte, pedindo socorro militar para a efetiva consolidação do governo revolucionário naquela província. Organizou-se uma expedição que foi entregue a José Peregrino Xavier de Carvalho.

CONTRA-REVOLUÇÃO

O Conde dos Arcos, que governava a Bahia, mandou organizar forças militares para a restauração das províncias sublevadas. Do Rio de Janeiro vieram mais reforços.

O Recife foi bloqueado por mar e terra e, dentro de pouco tempo, tomado. A notícia chegou à Paraíba e os monarquistas começaram a se movimentar e a organizarem planos para a retomada do poder. Além disso, houve muitas conspirações.

O ataque a Paraíba foi planejado através do Sanhauá, Cruz das Armas, Cabo Branco e Arraial (Penha), por tropas vindas de Alhandra, Conde, Santa Rita e Pilar. O cerco se apertava mais com o auxílio dos realistas do Rio Grande do Norte e Ceará.

O primeiro combate foi em Itabaiana, terra que primeiro proclamou a República. Na capital, três mil homens entram e tomam a cidade, não encontrando resistência por parte dos revolucionários. A capitulação é assinada no Convento de São Bento.

Peregrino de Carvalho se aproxima da Paraíba. O seu pai vai encontrá-lo em Cruz das Armas e num diálogo que passou para a história conseguiu que o jovem revolucionário se entregasse. Foi preso no convento de São Bento.

Três realistas assumem o governo na Paraíba. Dr. Gregório José da Silva Coutinho como Corregedor e Ouvidor; o capitão João Soares Neiva e o vereador mais velho Manoel José Ribeiro de Almeida.

Começaram as prisões. Alguns conseguiram fugir, mas aqueles que acreditaram que, rendidos, seriam perdoados, sofreram dolorosas penas e muitos pagaram com a vida o seu ideal de liberdade. Os revoltosos condenados à morte foram: Amaro Gomes da Silva Coutinho; José Peregrino Xavier de Carvalho; Francisco José da Silveira; Inácio Leopoldo de Albuquerque Maranhão; Antônio Pereira de Albuquerque Melo.

Os revoltosos foram executados em Recife e suas cabeças e mãos, salgadas, foram enviadas à Paraíba para serem expostas nos principais locais da cidade, como advertência.


2 comentários:

comentário disse...

A Editora Scipione S/A , solicita autorização para reproduzir o texto abaixo, que será utilizado na obra provisoriamente intitulada “História da Paraiba", de autoria de Gislane Azevedo e Reinaldo Seriacopi, podendo ainda ser fixada em formato Mec Daisy:

Título: A Revolução de 1817 na Paraíba
Autor: Professor Josias
Fonte: http://historiadaparaiba.blogspot.com/2008/11/revoluo-de-1817-na-paraba.html.

Por favor entrar em contato atraves do email: patricia.sanches@abril.com.br
Obrigada,

Jario Nobrega disse...

Muito bom, era uma parte da história da Paraiba que eu não conhecia.
Grato pelo conteúdo.