quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A conquista da Paraíba e a dizimação dos índios


A criação da capitania real da Paraíba desmembrada de Itamaracá e a fundação da cidade de Nossa Senhora das Neves são fatos situados no contexto da disputa mercantil entre França e Portugal.

Os franceses tentaram ocupar regiões do Brasil com o objetivo de participarem da exploração da América. A presença francesa na Paraíba. A exploração das riquezas, a utilização dos índios potiguaras e o massacre de Tracunhaém impulsionaram o governo português no sentido da criação da capitania real da Paraíba.

Habitavam na Paraíba duas raças de índios: tupis e cariris ou tapuias. Os tupis se dividiam em tabajaras e potiguaras, que por sinal eram inimigos.

Os tabajaras, na época da fundação da Paraíba, eram moradores novos, quer dizer, chegados recentemente e constituiam um grupo de umas cinco mil pessoas. Eram dóceis, fáceis de ser aldeados, ficando logo misturados com a maioria da população. Todos sabiam que os tabajaras já tinham prestado bons serviços aos portugueses desde a época em que Pernambuco era governado por Duarte Coelho. Ocupavam os tabajaras o litoral, a mais de vinte léguas para o interior.

Os potiguaras, em maior número que os tabajaras, não eram os mais antigos na Paraíba. Ocupavam apenas uma pequena região nos limites do Rio Grande do Norte com a Paraíba.

A maior parte dos selvagens em geral estavam em período da idade paleolítica para a neolítica. A língua que falavam era a tupi-guarani, aliás também falada pelos colonos para poderem se entender com os índios.

Chegou-se até a se fazer uma gramática desta língua, cujo autor foi o Padre José de Anchieta. Com muita facilidade os índios absorveram a civilização européia, dando-nos também a sua experiêcia em certos aspectos, como a maneira de tecer o algodão para fazer redes destinadas ao descanço, o uso do fumo, certas comidas e remédios.

A criação da capitania real da Paraíba teve por objetivo. Fazer a expansão da exploração colonial e intensificar a luta pela expulsão dos franceses do território paraibano. Para isso, Portugal aproveitou-se de conflitos inter-étnicos (entre potiguaras e tabajaras), explorou e utilizou os tabajaras para a utilização dos franceses.

Dessa forma, a conquista da Paraíba muito favoreceu o processo de dizimação indígena.

“A conquista da Paraíba, além de seu caráter defensivo contra os corsários, é antes de tudo o preço do avanço da cana-de-açúcar que parte de Pernambuco, atravessa Itamaracá e chega à várzea dos rios paraibanos. Não só a terra deve ser tomada ao índio da região, que tem nos franceses um forte incentivador à resistência armada: é preciso justificar o seu extermínio. Apela-se então para a chamada guerra justa: índio que pega em armas contra os portugueses é passível de morte. Se aprisionado, legalmente passa a ser um escravo.

O índio se enquadra numa das categorias: índio aliado, domesticado ou inimigo, conforme se sujeite ou não ao domínio português. O primeiro tem que passar pela missão religiosa. É ela que o destribaliza e transforma num vassalo de sua magestade. A missão passa a ser um viveiro de homens de armas que a qualquer momento podem ser convocados para fazerem guerra ao estrangeiro invasor, às tribos inimigas e aos negros quilombados. Ela é ao mesmo tempo uma reserva de mão-de-obra barata para o Estado e para os colonos que não tinham acesso a outra fonte de trabalho devido ao preço alto do escravo africano.


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