quarta-feira, 12 de novembro de 2008

A Revolução Praieira


A revolta Praieira pode-se dizer que foi a última revolução política de protesto contra as mudanças ministeriais. O ambiente para a revolução já se vinha preparando com as divulgações das idéias de reforma social, contra a prepotência econômica e política dos latifundiários e a exploração dos grandes comerciantes.

Estando na Presidência do Gabinete Conservador Pedro de Araújo Lima, rebentou a revolução. Estava bem vivo ainda o espírito republicano de 1817, sufocado pelo Império.

O partido liberal de Pernambuco, chamado de “praieiro”, porque ficava na Rua da Praia, tinha o seu Jornal – o “Diário Novo” – de propriedade de Luiz Roma, sendo seu principal redator Abreu e Lima. Governava Pernambuco de 1845 a novembro de 1848 o Desembargador Chichorro da Gama. O partido era constituído de conservadores e liberais, que se uniam para combater os portugueses que chamavam de marinheiros, e também para combater as oligarquias de famílias regionais, como os Cavalcanti de Albuquerque, os Rego Barros, Paes Barreto, etc. que alicerçavam o partido Conservador. Os Republicanos apoiavam-se no paraibano Borges da Fonseca, apelidado de o “Republico”. Era agitador, inteligente, valente e líder. Apesar disto, quando rebentou a revolução, Borges da Fonseca esqueceu todas as mágoas e entrou na revolta contra os “Aristocratas”.

Em novembro de 1848, assumiu o Governo de Pernambuco Dr. Herculano Pena. Infelizmente iniciou seu governo com uma série de demissões de pessoas filiadas ao partido liberal que, na sua maioria, era do grupo dos “Praieiros”.

Os liberais chamaram logo o seu líder, o deputado Nunes Machado, para vir comandar uma revolta, que deveria rebentar logo. Com a confirmação da vinda de Nunes Machado, os liberais exultavam. Em 7 de setembro de 1848, anos depois da Sabinada, em Olinda, rebentou a revolução, espalhando-se pelo litoral pernambucano, sob o comando de Nunes Machado aliado de Borges da Fonseca.

Na Paraíba, o governador João Antônio de Vasconcelos enviou, para a fronteira de Alhandra e Pedra de Fogo, 400 homens a fim de impedir a invasão dos revoltosos na Província. Tinham ordens também de, se fossem requisitados pelo Governo de Pernambuco, se incorporar às fileiras legalistas pernambucanas. A força foi requisitada, aliás, havendo muitas deserções. No ataque a recife, morreu Nunes Machado. Em vista disto, os Praieiros retiraram-se para o interior da Paraíba, chefiados por Borges da Fonseca.

Em Alagoa Grande, os revoltosos acharam adeptos, nas pessoas do comandante da Guarda Nacional de Areia, do Cel. Joaquim dosa Santos Leal, do delegado Maximiliano Machado, do juiz Municipal de Areia. Escreveram estas autoridades de Areia um ofício ao Governador da Província demitindo-se dos seus cargos.

Os revoltosos entraram em Areia entusiasmados com a adesão das principais autoridades. O governo Imperial, alarmado com o caso, mandou imediatamente uma coluna de soldados comandada pelo Cel. Falcão. Colocaram-se os soldados legalistas nos Engenhos Gregório, Boa Vista e Ladeira do Tatu. Das 07: 00 horas às 13 00 horas, houve um terrível tiroteio que resultou na tomada de Areia, em 21 de fevereiro de 1849. as tropas rebeldes que puderam fugir, escaparam para o interior, seguindo rumo de Campina Grande e Pocinhos, onde dispersaram-se.

Os revoltosos de Pernambuco vieram à Paraíba em socorro de seus companheiros e ideal, chefiados por Pedro Ivo. Borges da Fonseca, querendo reorganizar a revolta, foi preso. Em vista disto, terminou a rebelião que não pôde ser de novo organizada, com a prisão do restante.

O Partido Conservador, triunfante, dominou por longo tempo e se apresentou ao Brasil, como partido de ordem. Ao terminar a “Praieira”, na Paraíba, realizaram-se eleições para a legislatura de 1850-1852.


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