sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

A Economia Paraibana


1 – Introdução

A ocupação econômica do território paraibano, como aconteceu em todo o Brasil, esteve desde as origens, ligadas às necessidades do desenvolvimento mercantil metropolitano: uma economia voltada para o mercado externo, baseada no latifúndio, na monocultura e na mão-de-obra escrava. Assim implantou-se a grande produção açucareira (a partir do séc. XVI) e mais tarde a algodoeira (séc. XVIII), enquanto no agreste e no sertão desenvolveu-se a pecuária para atender as necessidades das cidades, povoados e das áreas voltadas para as culturas comerciais.

2 – Ciclos Econômicos

a) Pau-brasil

O ciclo do pau-brasil predominou em todo o período Pré-colonial. A sua exploração não fixava o homem a terra, levando apenas a instalação de feitorias. Constitui-se o primeiro produto de comércio não só na Paraíba, mas em todo o Brasil. Foi também o motivo das tentativas de fixação dos franceses no nosso litoral.

Até a descoberta de sua existência nas costas brasileiras, o pau-brasil era proveniente das Índias O seu valor como matéria prima de tinturaria foi atestado na Europa e na Ásia. Daí sua importância econômica. Pernambuco e Paraíba figuravam entre os pontos do Brasil onde a madeira era mais encontrada. Destaca-se ainda, a incômoda presença francesa, que desde cedo, contando com o apoio dos índios contrabandeavam a madeira. Haja vista, que esse tipo de exploração não exigia a ocupação do território.

b) Cana-de-açúcar

Da mesma forma, que em todo o litoral nordestino, a ocupação da faixa litorânea, baseou-se na exploração da cultura canavieira em grandes unidades produtivas: os engenhos.

E o progresso dessa indústria foi espantoso no fim do século XVI, e na Paraíba, a primeira tentativa de introdução da cultura da cana foi em 1579, na ilha da Restinga, fracassada pela invasão dos piratas franceses na região. A implantação definitiva da cultura da cana na Paraíba surgiu com seu primeiro engenho, em 1587, instalado no Tibiri. Depois de passar da zona da mata para o agreste, a lavoura migrou para as regiões úmidas do sertão.

O engenho colonial, a grande propriedade produtora de açúcar, era constituído, basicamente por dois grandes setores: o agrícola que era formado pelos canaviais, e o de beneficiamento – a casa do engenho, onde a cana-de-açúcar era transformada em açúcar e aguardente. Muitos engenhos possuíam também destilarias para produzir a aguardente (a cachaça), utilizada como escambo no tráfico de negros da África.

Além dos escravos, o engenho utilizava também o trabalho de homens livres nas atividades de administração e em atividades técnicas. Em torno dos engenhos desenvolveram-se uma série de pequenas atividades – os ofícios – e também áreas utilizadas para a cultura de alimentos.

O caráter da produção açucareira baseava-se numa economia monocultura, latifundiária e escravista. Em fim do século XVI, com a implantação dos primeiras sesmarias, ela foi iniciada na Paraíba, na várzea do Rio Paraíba do Norte. Já no início do século XVII, toda a área encontrava-se povoada e ocupada por numerosos engenhos.

Por ocasião da conquista holandesa (1634), a estrutura produtiva canavieira já estava implantada a pleno vapor para abastecer o mercado externo.

c) Pecuária

Com a expansão da cultura canavieira, novas terras foram sendo incorporadas ao plantio, ao mesmo tempo que as necessidades de combustível (a lenha) para atender os engenhos também aumentavam. O resultado foi a destruição das florestas que cobriam todo o litoral; o que levou os colonos a procurar madeira em áreas cada vez mais distantes, aumentando assim, a necessidade de animais de carga.

Por outro lado, a expansão da cana engolia os pastos, o que impossibilitava a convivência das duas atividades. Desta forma, a atividade criatória foi se interiorizando e se desenvolveu, em especial no sertão, para abastecer os engenhos de animais de tração e de carne, que era destinado também aos pequenos centros urbanos litorâneos.

Em meados do século XVII todo o território paraibano já estava conquistado, com uma concentração demográfica maior no litoral que no sertão.

A penetração rumo ao sertão paraibano processou-se principalmente através dos rios, ao longo dos quais foram se instalando as grandes fazendas de gado. A pecuária tinha um caráter extensivo devido à pobreza das pastagens (caatinga) aos longos períodos de estiagem e a utilização de técnicas rudimentares. A dispersão explica-se pela reduzida utilização de mão-de-obra nesta atividade.

d) Algodão

Em meados do século XIX, o desenvolvimento da cultura algodoeira daria novo á ocupação do espaço paraibano. Neste período, devido a Guerra de Secessão, os EUA foram afastados do mercado produtor internacional. Assim, a Inglaterra – maior centro têxtil – passou a estimular a plantação de algodão noutras áreas no Brasil, o nordeste tornou-se o mais importante produtor e exportador de algodão. Na Paraíba, a cultura foi responsável pela consolidação da ocupação do sertão e do povoamento do agreste e brejo.

O escoamento da produção do algodão sertanejo e mesmo do açúcar do litoral era dificultado pelos longos percursos feitos por tropas de animais. Para vencer estas distâncias e garantir a rápida chegada das mercadorias aos portos, principalmente ao recife, é que foi instalada a estrada de ferro.

Na primeira metade do século XX foi concluída a ligação ferroviária de Souza a campina grande, o que permitiu a esta cidade aumentar o seu papel comercial sobre o sertão e também incrementar as exportações do algodão através do Porto de Cabedelo (na época um dos principais terminais algodoeiros do nordeste).

A ferrovia completou o processo de ocupação do território paraibano. A cana-de-açúcar, o gado e o algodão comandavam este processo, com base na implantação de uma economia agrário-exportadora, que ainda hoje caracteriza a Paraíba.

6 comentários:

Pedro disse...

muito bom conteudo, gostei muito, bem explicado com expreçoes intendiveis a todos setores da sociedade so ta faltando exercicios ok valew !!

brunodumau disse...

Parabéns pelo excelente conteudo e pela explicação impecável!!
E OBRIGADO, pois não sou da PB, mas preciso saber tudo isso, pois prestarei vestibular na UFPB!!

MANUELA HERBALIFE disse...

valeu parabéns, faço história, os paraibanos precisam saber mais.

Anônimo disse...

otimo

Anônimo disse...

OS OUTROS ESTADOS POSSUEM HISTORIOGRAFIAS CENTRADAS NELES..POR QUE A PB TAMBEM NÃO POSSUI UMA ASSIM TAMBEM?

FOMOS OS PRIMEIROS A SERMOS DESCOBERTOS POR PINZON; AQUI SE CONCENTRAVAM OS PIRATAS INGLESES E FRANCESES DO PAU-BRASIL ENTRE A BAIA DA TRAIÇÃO E A BAÍA DE SÃO DOMINGOS; NENHUMA CAPITANIA CRESCEU MAIS ENTRE OS FINS DO XVI E O XVII (PE POR EXEMPLO TINHA AREA BEM MAIS EXTENSA GRAÇAS A AL E DEMOROU BEM MAIS DECADAS PRA SE CONSOLIDAR) VIA INDUSTRIA DA SACAROSE; FOMOS A UNICA CIDADE LUSOFONA FUNDADA POR ESPANHOIS NA DINASTIA FILIPINA; FOMOS UMA DAS DUAS MAIORES CIVILIZAÇÕES HOLANDESAS DA NOVA HOLANDA NO XVII; FOMOS DAS MAIORES PECUARIAS PIONEIRAS DO XVII/XVIII NO BRASIL INTEIRO (A DECADENTE PELOTAS POR EXEMPLO SÓ FOI SE CONSOLIDAR TARDIAMENTE ENTRE O XVIII E XIX); NO XIX FOMOS DOS MAIORES EXPORTADORES DE ALGODÃO, AÇUCAR; NO XX FOMOS O MAIOR PRODUTOR DE CAFÉ FORA DE SP/CIA VIA ALTO BREJO, ELEGENDO UM PRESIDENTE EM PLENA DITADURA DO CAFÉ COM LEITE DELES JUSTAMENTE GRAÇAS A ISSO; TIVEMOS A COLONIA SUECO-ALEMÃ MAIS SETENTRIONAL DO BRASIL QUE SEDIOU A MAIOR INDUSTRIA TEXTIL DA AMERICA LATINA PRE-CONCORRENCIA ASIATICA, ETC..NOSSA DECADENCIA COMEÇOU E TEVE APICE NAS ULTIMAS DECADAS DO XX, MAS JA NOS FINS DO XX E INICIO DO XXI O NOSSO MERCADO IMOBILIARIO DEU SINAIS DE QUE NOSSO TERCIARIO PRIVADO COMEÇOU A MELHORAR DE NOVO..

Edna Ribeiro disse...

EDNA RODRIGUES PROFESSORA DE EDUCAÇAO BÁSICA , PARABENIZO O PROFESSOR JOSIAS PELO RELATO DA COLONIZAÇAO,FORMAÇÃO DAS CIDADES PARAIBANAS E DA NOSSA ECONOMIA DE FORMA SUCINTA E EXCLARECEDORA PARA OS QUE BUSCAM CONHECIMENTO ESPECÍFICO. OBRIGADO