sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

A crise do século XVIII e a incorporação a Pernambuco



1 – A dependência em relação a Pernambuco

O papel histórico que Pernambuco desempenhou, como centro da conquista portuguesa e da expansão demográfica do nordeste na segunda metade do século XVI, determinou, em parte, a sua situação de ascendência sobre as capitanias reais conquistadas, como foi o caso da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.
Durante todo o período colonial, o Recife foi o mais importante centro comercial desta área, contando com o porto mais bem equipado, com boas condições de armazenagem e centralizando as casas exportadoras dos comerciantes portugueses, detentores do monopólio comercial na colônia.
A conquista do litoral da Paraíba – procedentes dos núcleos de Olinda e Igarassu – só logrou sucesso a partir de 1585, com a fundação da cidade de Filipéia de Nossa Senhora das Neves e com a instalação do primeiro engenho de açúcar.
Nos anos seguintes a produção açucareira se desenvolveu, sendo que já nas primeiras décadas do século XVIII estavam instalados mais de vinte engenhos. A produção era escoada pelo porto de Pernambuco, devido às facilidades de embarque, apesar da Paraíba contar então com o Porto em Cabedelo, o de Jacumã e o da Baía da Traição.
È preciso lembrar que a paraíba, como todo o Brasil, era colônia de Portugal. Dessa forma, era explorada duplamente: pela metrópole e pelos comerciantes de recife

2 – Situação da Paraíba após a guerra contra os holandeses

Com a invasão holandesa (1634-1645), a estrutura produtiva da capitania foi praticamente arrasada, abrindo um longo período de crise que culminaria com a anexação a Pernambuco.
A guerra contra os holandeses devastou a capitania. Os moradores na medida em que se retirava para Pernambuco queimavam suas fazendas, engenhos e canaviais.
Após a expulsão dos holandeses a capitania enfrentou inúmeras dificuldades para se recuperar. A situação da produção e do comércio era desanimadora. A população se queixava da ausência de navios no porto da Paraíba (provavelmente devido à sua baixa produção) e, ao mesmo tempo temendo os prejuízos de não conseguirem embarcar a sua produção, acabaram por envia-la para Pernambuco.
Na primeira metade do século XVIII o açúcar enfrenta novas dificuldades com um longo período de seca, falta de escravos e as pragas, o que leva a maior parte dos a ficar de “fogo morto” ou funcionando em precárias condições. Acrescente-se a isso o fato de apesar de sua condição de capitania real, a Paraíba nunca ter recebido qualquer estimulo de desenvolvimento por parte da Coroa portuguesa.
A recuperação da capitania era de responsabilidade do governo da metrópole, o qual, ao se omitir, transferiu ao governo de Pernambuco problema que não lhe dizia respeito, tentando assim, livrar-se dos encargos e responsabilidades que a desejada recuperação impunha.


3 – A anexação da Paraíba a Pernambuco

O marquês de pombal, ministro durante todo o reinado de dom José (1755-1777), foi o responsável pelas mudanças necessárias para que Portugal superasse a crise em que mergulhara. Em 1756, como parte da política pombalina de contenção de gastos e concentração de recursos e, atendendo os interesses da burguesia comercial portuguesa instalada em Recife, a Coroa determinou a anexação da Paraíba a Pernambuco, que perdurou até 1799. A situação paraibana agravou-se ainda mais com a criação da companhia de comércio de Pernambuco e da Paraíba (1759) que visava explorar mais racional as riquezas dessas áreas.
Nesse sentido, a Companhia de Comércio de Pernambuco e Paraíba, deveria monopolizar todo o comércio com a Paraíba. Esse somente poderia ser exercido pela companhia que se obrigava, no caso paraibano, a adquirir a produção de açúcar, couros, madeira, algodão e peles, comprometendo-se em contrapartida, abastecer a capitania de vinhos, azeite, manteiga, tecidos, queijos e bacalhau (denominados “do reino”).
Mas as reclamações começaram a se registrar. A companhia falhava na remessa de artigos essenciais. Com a escassez das mercadorias o preço destas aumentava. Além disso, a companhia cobrava juros elevados e os nossos moradores bem depressa foram se endividando. Como conseqüência, a produção açucareira entrou em colapso, arrastando consigo o comércio. Este somente poderia desenvolver-se por Pernambuco, daí porque, até a extinção da Companhia de Comércio, em 1777, não havia, na Paraíba, uma só casa de comércio para custear carregamento, adiantamento de despesas e custeio de navios. Os senhores de engenho experimentavam dificuldades porque os implementos de que necessitavam – tachos, moendas, alambiques e ferramentas – eram fornecidos a preços elevadíssimos. A companhia também falhava no fornecimento de escravos.
Por outro lado, o governo da capitania de Pernambuco, que centralizava as decisões nas esferas administrativa, militar e financeira, não tinha interesse, ou não conseguiu, porque aquela também estava passando por um período de crise, sendo impossível assim remediar a situação da economia paraibana.

4 – O resgate da autonomia

Em 1777, com a morte de dom José I e a aclamação de sua filha dona Maria I, Pombal foi imediatamente substituído por Martinho de Castro e Melo. Este comandou a chamada viradeira – mudanças políticas e econômicas que tentaram alterar os rumos tomados pela administração pombalina. Assim, ainda em 1777, foi extinta a Companhia de Comércio de Pernambuco e Paraíba.
A autonomia só foi obtida, após inúmeras gestões junto a Coroa em 1799, mas só foi consumada muito depois, porque a Paraíba permaneceu ligada a Pernambuco nas questões relativas à defesa, e às finanças até pelo menos 1808.
Mesmo com o fim da anexação, a situação da Paraíba era muito difícil, com uma constante oscilação nos níveis da produção (em especial, de cana e de algodão), o aumento dos preços dos alimentos, a estagnação do comércio e a falta de assistência do Estado.
Os navios não freqüentavam o porto por falta de carga, muitos engenhos estavam de “fogo morto” e a maior parte dos proprietários de terra e mesmo dos comerciantes locais compravam seus suprimentos em recife, onde hipotecavam suas futuras produções.
Consolidou-se assim na Paraíba a submissão do espaço açucareiro e também algodoeiro (cujos proprietários, em especial do sertão estabeleciam vínculos comerciais diretamente com a capital pernambucana), aos interesses do capital comercial sediado em Recife.
Restaurada a autonomia da capitania da Paraíba, não se pode afirmar que o seu desenvolvimento foi rápido. Ainda enfrentou dificuldades. A sua receita, no início do século XIX, mostra aumento razoável em comparação as receitas entre 1756 e 1798. Não somente receitas, mais também rendas, conseqüência do aumento de sua produção.

7 comentários:

Marcelo disse...

[b]Valeu, me ajudou muito.
Ta de parabéns !
Abraço.biogra

Amilson disse...

valeu, este assunto é questão de concurso, foi muito legal.

Amanda disse...

Obrigada pela ajuda! O texto estava bem coerente!
Abraço!

Anônimo disse...

há uma historiografia esquerdista que tenta colocar a historia do ne como algo trágico desde os primórdios..nessa época o ne ainda tinha o grosso das exportações do brasil, incluindo a pb, pe e ba..enquanto isso em sp vemos o inverso..os bandeirantes viviam numa pobreza tão grande que se sujeitavam a ser capitães do mato contra nativos dos nordestinos, mas mesmo assim o que não falta são pinturas e esculturas de bandeirantes em trajes cheios de luxo quando sequer tinham grana pra importar calçados da europa e andavam descalços de tão bárbaros e primitivos..se la anacronizam o passado como se sempre fosse bonança, ca se faz o inverso..se anacroniza o passado como se sempre tudo estivesse de mal a pior..isso é comprar a visão do inimigo que nos golpeou e quer nos manter como quintais eternos deles..um sub-portugal lacaio do ex-canal e dos judeus maçônicos do pos-golpe que se acha o supra-sumo mundial e hemisférico mesmo sendo ator secundário apenas por que roubou do ne o papel de intermediário no mainland entre a zona centro do atlântico norte e o resto do mainland..

Anônimo disse...

ESSA HISTORIOGRAFIA PERNAMBUCOFILA

METE NOJO..O RECIFE ERA UM POVOADO

INFERIOR; SEU PORTO ERA MAIS EXPOSTO

A ATAQUES QUE O DE OLINDA TANTO QUE

ENQUANTO A PB RESISTIU MUITO MAIS AS

INVASÕES O RECIFE CAIU DE PRIMEIRA;

SÓ ERA MELHOR QUE O PORTO DE OLINDA

POR SER MENOS HINTERLANDESCO MESMO

PADRÃO QUE VIMOS NO SE E PB; JP COMO

CIDADE REAL ERA MUITO SUPERIOR AQUELE AMONTOADO DESORGANIZADO QUE ERA RECIFE; ATÉ OLINDA QUE ERA UMA VILA ERA SUPERIOR; RECIFE ERA UM DISTRITO DE OLINDA

ALIAS RECIFOCENTRISTA, POIS ATÉ OLINDA É DESVALORIZADA; ATÉ MAURICIA É SOFISMADA COM RECIFE CUJO NUCLEO ERA O PONTAL DO AREIAL E NÃO A CIDADE PLANEJADA NO NE DE ANTONIO VAZ ANTES DA QUEDA

AS VIAS PRINCIPAIS DE JP IAM DO COMPLEXO SF E FONTE TAMBIA ATE OS LIMES COM A ZONA OESTE EM LATITUDE E EM LONGITUDE DO CAIS DO VARADOURO ATÉ A ACTUAL DOM PEDRO I

ATE AQUELE AGENTE INGLES MAL DISFARÇADO DO XIX POS-SABOTAGENS POS-POMBAL MAÇONICO E LOBBYS DE PE ANEXANTES JA DIZIA: ESSA CIDADE JA DEVE TER SIDO MAIS IMPORTANTE EM COMERCIO E RIQUEZA ANTES DA ANEXAÇÃO POIS HA AQUI VITRAIS LUXUOSOS EUROPEUS QUE NÃO VIMOS EM PERNAMBUCO MESMO NO XIX..

LEMBRAR DO CENSO UM, DOS ARTIGOS SOBRE O PORTO E SUA PROTO-TRANSFERENCIA; AINDA NO XIX-II MESMO DEPOIS DOS GOLPES GEOPOLITICOS NO HEMISFERIO; O CENSO UM COLOCAVA ESTADOS COMO MINAS, CE, RS MAIS POPULOSOS, MAS EM COMERCIO EXTERNO ERAM MUITO INFERIORES AINDA; TANTO QUE O CE MANDAVA MIGRANTES PRO ACRE JA ALI; FOI O GRANDE PIONEIRO DA MIGRAÇÃO DO NE SEGUIDO PELA BA DE 1900; ISSO INDICA MUITO SOBRE COMO SE DEU O PROCESSO DE DECADENCIA OU INCIPIENCIA DE CADA ZONA;

Anônimo disse...

«Primeiro do que tudo, cumpre estabelecer um fato: colocar a Província da Paraíba do Norte em sua verdadeira posição, demonstrando que sob o ponto de vista comercial ela ocupa atualmente o nono lugar entre todas as províncias do Império. E ainda mais, pelo seu comércio de exportação, competir-lhe-ia o sexto lugar

MESMO A DESPEITO DE TODA ESSA HISTORIOGRAFIA DE COMPLEXO DE VIRA-LATA AS FONTES EXTERNAS DO XIX-II QUASE NA DIVISA COM O XX DANDO UMA AMOSTRA DO PERIODO IMPERIAL DIZEM O OBVIO..O PORTO DO VARADOURO APESAR DE TUDO AINDA ERA DOS MAIORES EXPORTADORES E SE SOMARMOS O QUE SAIA DO VARADOURO DO QUE ERA DESVIADO PELO RECIFE DE CERTO QUE A PB AINDA ESTAVA NO TOP 5 EXPORTAÇÃO (LEMBRAR QUE JA NASCEU NO TOP 3 E PORTANTO SÓ TERIA SIDO ULTRAPASSADA NESSA ALTURA OBVIAMENTE PELO CAFÉ DE SP)

Anônimo disse...

POSSIVELMENTE ESSAS (QUE CONTRIBUIAM MENOS NAS RECEITAS EXTERNAS E PORTANTO AJUDAVAM NO DEFICIT COMERCIAL DO PAÍS DENTRE OUTROS) QUE TINHAM COMERCIO INTERNO JA MAIOR FAZENDO A PB E JP (ORIGINALMENTE JA NASCIDAS NO TOP 3) SALTAR DO TOP 5 PRO TOP 10 SÃO AQUELAS QUE NO PRIMEIRO CENSO APARECEM ULTRAPASSANDO SOB O PONTO DE VISTA DEMOGRAFICO; ALGUMAS PELO PROPRIO ATRASO EXPORTACIONAL E HINTERLANDESCO MAIOR; MESMO QUE SUBSIDIADAS POR IMIGRAÇÃO RECENTE OCIDENTAL AINDA EM COLONATOS INCIPIENTES