quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Abolição da Escravatura


Bem antes das lei do ventre livre em 1871 a Paraíba já trabalhava pela redenção do cativeiro, pois o presidente da província estava autorizado pela lei 311 de 10 de Dezembro de 1868 para aplicar todos os anos a quantia de cinco contos de reis na alforria de crianças nascida do sexo feminino sob o jugo do cativeiro e acima de três anos de idade e pela lei 341 de 3 de Dezembro de 1869 a importância das manumissoes foi elevada para vinte e cinco contos de reis e no ano de 1870 com o termino da guerra do Paraguai em meio a tantas festas e solenidade comemorativas o governo paraibano alforriou dezenove mocinhas escravas.

As zonas de maior incidência da população escrava da Paraíba se localizava no litoral e no brejo onde a agricultura constituía a principal atividade nos seus cento e sessenta e cinco engenhos onde estavam distribuídos os vinte e oito mil quintos e quarenta e seis escravos.

E no ano de 1884 esse numero baixou para dezenove mil setecentos e setenta oito escravos em seus trezentos e cinqüenta engenhos com o município de São João do Cariri na zona de criação e que ostentava o maior numero de escravos e o de Teixeiras era o que tinha o menor numero, e na campanha pelo abolicionismo na Paraíba teve em Manoel da Silva o seu herói da cruzada que de início lutou praticamente sozinho e que em 1883 ao ver o exemplo edificante do Ceará e do Rio Grande do Norte que já viviam livre da mancha do cativeiro, de imediato reagrupou os seu amigos e companheiros de jornada e fundou a Emancipadora Ariense com a colaboração de Carlos Lisboa, Rodolfo Pires e do Vigário Sebastiao Bastos e outros beneméritos arrienses que contagiaram os sentimentos de solidariedade humana de numerosos proprietários rurais que alforriaram todo os seus escravos com grande adversidade do juiz de direito de Areia o Doutor Gonçalo Paes de Azevedo Faro que era um tenaz inimigo do abolicionismo e um espirito reacionário que criou toda sorte de obstáculo ao desempenho do movimento ao declarar todo o seu apoio aos escravocratas. E devido ao seu modo de agir, acabou sendo despojado de seu cargo na comarca por pressão de seus jurisdicionados, desta maneira o município de Areia se livrou da presença hostil do magistrado e tornando as coisas mais fácil para a gloriosa jornada.

E para leva-la a avante foi criado o jornal Verdade e a comarca municipal convocou os escravistas para uma audiência onde os convenceram do altruísmo do movimento que em 22 de Abril o conjunto de todos os esforços rematou a campanha com sucesso espetacular

Quando foram declarados libertos os últimos escravos e para comemorar o fato foi escolhido o dia 3 de Maio que por conhecidencia neste dia dava entrada no parlamento o projeto do governo abolindo a escravidão do Brasil.
Desta maneira Areia foi a única cidade da Paraíba que escreveu essa pagina edificante na redação do cativeiro, e quando a lei áurea foi decretada em 13 de Maio de 1888 ela chegou tarde para a terra de Manoel da Silva o infatigável obreiro da benemérita cruzada.

Um comentário:

Anônimo disse...

Olá Josias,

Meu nome é Hugo Leonardo Macena, estou concluindo o Bacharelado em Geografia na UFPB. Achei super interessante esse texto. Trabalho com comunidades quilombolas em minha monografia. Se você tiver como artigo esse texto, podeia mandar para mim? Gostaria de cita-lo.

Atenciosamente,
Hugo Leonardo Macena

hugo.macena@gmail.com